Para entender a Economia Distribuída, vamos voltar no início dos anos 90, dissemos que os canais de mídia estavam antiquados e centralizados, eram caminhos de um para muitos. Os canais eram controlados por forças poderosas, e todo mundo era um destinatário passivo.

A internet ganha destaque e a web é a nova mídia, dissemos que era um para um, muitos para muitos, e era descentralizada. Todo mundo pode ser um participante, e não mais um receptor inerte. Isto tem uma neutralidade impressionante. Podíamos agora criar uma sociedade muito mais igualitária e próspera, onde todos possam compartilhar a riqueza.

Muitas coisas grandes aconteceram, mas globalmente os benefícios da era digital foram assimétricos. Por exemplo, temos grandes ativos de dados que foram criados por nós, mas ainda não conseguimos nos beneficiar com tudo isso. A propósito o que acontece? O controle é de um punhado minúsculo de companhias, sistemas financeiros e governos poderosos. Eles monetizam esses dados e se beneficiam em todos os sentidos, principalmente no segmento econômico.

E se houvesse uma segunda geração da Internet que permitisse a verdadeira troca de valores entre pares? Nós não temos isso agora. Se eu vou enviar algum dinheiro para outra pessoa, tenho de passar por um intermediário, mas sempre são alguns intermediários, pode ser um banco poderoso, uma empresa de cartão de crédito, ou preciso de um governo para autenticar quem eu sou e quem é a outra pessoa. E se pudéssemos fazer isso de igual para igual.

E se houvesse um protocolo, vamos  chamá-lo de protocolo de confiança, que nos permite fazer transações, fazer comércio, trocar dinheiro sem um terceiro poderoso ou qualquer outro intermediário? Isso seria incrível!

Há uma nova economia lá fora, tão grande, senão maior, do que a economia da web atual que conhecemos. Portanto, temos que estar preparados para um novo mercado e para uma Economia Distribuída.

Haverá tempos com trabalho e sem emprego.

Os empreendedores sociais não toleram os níveis inaceitáveis de exclusão social e de desemprego que hoje afligem as nossas sociedades. Esses pensadores vislumbram dias onde o ambiente de trabalho será um lugar de empatia e respeito pela identidade dos outros, dignidade e direitos à oportunidade.

Para eles, a próxima crise trabalhista exigirá uma reescrita do contrato social onde a renda já não está necessariamente ligada ao “trabalho”. Concluíram que ideias e conceitos tradicionais como protecionismo, PIB, criação de riqueza, propriedade e uma economia de informação compartilhada podem, ou melhor estão obsoletos.

O resultado dessa reescrita do contrato social gera uma questão que é debatida vigorosamente. Como uma pessoa poderia sustentar-se quando não se espera que ela esteja empregada formalmente.

A onda de uma “renda básica incondicional” é um conceito que está ganhando impulso e algumas jurisdições. O problema com o discurso é que ele está enquadrado nos termos da situação de hoje, onde as políticas são projetadas para desencorajar os esforços de mudanças.

Mais de um século atrás, Henry Ford antecipou este debate quando postulou que: “Não é o empregador que paga os salários. O empregador só lida com o dinheiro, é o cliente que paga os salários.”

Por mais radical que pareça a ideia de renda básica universal, ela é uma solução técnica simples para um problema social amplamente compreendido. Será muito mais difícil imaginar e instituir um novo sistema de valores onde o desemprego não seja estigmatizado.

Adotar normas em uma sociedade, onde a contribuição de alguém já não é definida pela produção econômica, é um desafio muito complexo. Para enfrentá-lo, precisamos de muita coragem, muito pensamento criativo e muita experimentação política.

Mas temos que pensar nos dias que inventaremos dispositivos e sistemas de economia perfeitos, que podem projetar a máquina, que podem construir a máquina, que podem fazer qualquer trabalho físico, alimentados por luz solar, e mais ou menos pelo custo das matérias-primas. Devemos abordar agora esse tema, e começar a trabalhar na antecipação de um momento em que o escopo e a escala de necessidade de esforços humanos na produção econômica tende a diminuir drasticamente.

Tem que haver uma explosão de inteligência, na sequência devemos começar por reconhecer abertamente que carreiras políticas são feitas e destruídas pelas promessas de criação de empregos. Pois essas promessas, de agora em diante vão exigir muita coragem de nossos líderes, terão que assumir a responsabilidade de iniciar um debate franco sobre a possibilidade de um futuro livre de emprego.

Pensando nesses novos dias, como será viver em um mundo livre de emprego tradicional? E o que nós, humanos, faremos com o nosso tempo livre?

Serão jornadas de trabalho, mais curtas, e as mesmas permitirão que as pessoas encontrem outras atividades, das quais poderão derivar maior significado.

A ambição de um indivíduo é hoje muitas vezes combinada com as aspirações profissionais e, em seguida, medida pelo sucesso de uma carreira profissional. A ambição do futuro será, construir a capacidade de imaginação e aspiração de aprender, combinada com a geração e troca de ideias.

Todos os esforços acima terão que caminhar de mãos dadas com a crescente desigualdade e com o reconhecimento de que vivemos uma “crise espiritual da economia moderna”, pois ela é falha, sim muito falha, pois para encontrar um emprego depois de perder um, é uma fonte de profunda vergonha e uma razão de auto culpa.

Vivemos na Economia de Acesso camuflada de Compartilhada.

Enquanto há muito estabelecido e altamente perturbador para certas indústrias e mercados, o consumo colaborativo ainda é um tema discutível.

Temos que ficar atentos para as principais desvantagens e a verdadeira face do impacto, de empresas como Uber, Airbnb, e outros causam sobre os ecossistemas sociais e financeiros.

A questão de conformidade regulamentar, a evasão fiscal, a segurança frágil e tantas outras acusações e argumentos são citados no intuito de golpear, aparentemente de forma injusta, a economia compartilhada praticada por esses grupos.

É neste momento que devemos prestar maior atenção, pois nenhuma dessas empresas de vários bilhões de dólares ou seus clientes estão compartilhando nada. Em vez disso, os especialistas na matéria encontraram e passaram a utilizar o termo “Economia de Acesso”, pois quando o “compartilhamento” é mediado pelo mercado, ou seja, quando uma empresa é um intermediário entre os consumidores que não conhecem uns aos outros, não temos mais o compartilhamento de fato. Em vez disso, os consumidores estão pagando para acessar os bens ou serviços de outra pessoa por um determinado período de tempo e o processo é intermediado e taxado por terceiros. Ou seja é um intercâmbio econômico, e os consumidores buscam valor utilitário, e não social.

Serão novos dias de uma Economia Distribuída.

Uma vez que estabelecemos que estar desempregado nos dias de hoje é estar na pior colocação na corrida social e que a economia compartilhada no sentido e na forma existente é altamente questionável, agora vem a verdadeira questão: que tipo de economia poderíamos chamar de “distribuída” no sentido correto?

A resposta parece ecoar nos becos como composições de musicas punk, poderá ser Blockchain. A tecnologia de contabilidade distribuída ultimamente tem sido atribuída com características maravilhosas e quase dublada como um salvador do mundo e da indústria de serviços financeiros em particular. Houve inúmeros ensaios e projetos voltados para testar soluções Blockchain, testar a potência e encontrar as melhores aplicações para a tecnologia em pagamentos, comércio, a questão da inclusão financeira, liquidação em tempo real, e muito mais.

Uma das propriedades mais importantes da tecnologia Blockchain, é a eliminação da necessidade de autoridade central e intermediários, então poderá se tornar uma espinha dorsal para a “Economia Distribuída  real”.

No modelo atual, cada serviço no ecossistema da “economia de acesso”,  tem uma autoridade central, enquanto serviços similares construídos e operando em tecnologia Blockchain, conectariam diretamente a oferta e a demanda de maneira mais eficiente.

Eliminar a necessidade de um intermediário, poderá afetar algumas das maiores empresas de tecnologia. Em vez de usar Uber, Airbnb ou eBay para se conectar com outras pessoas, os serviços Blockchain permitem que os indivíduos se conectem, compartilhem e transacionem diretamente, inaugurando a Economia Distribuída. Blockchain é a plataforma que permite verdadeiras transações peer-to-peer e uma verdadeira Economia Distribuída.

Serão criados novos mercados, esses mercados serão aqueles nos quais os indivíduos podem negociar ativos não tradicionais como reputação, visibilidade ou dados. Blockchain faz qualquer atividade, por menor que possa parecer, se monetizar.

Então isso é uma coisa extraordinária. Um banco de dados distribuído e imutável de ativos digitais. Esta é uma plataforma para a verdade e é uma plataforma para a confiança. As implicações são surpreendentes, para o setor de serviços financeiros e para as relações de empregabilidade, pilares importantes para se ter a Economia Distribuída.

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